22/11/2007 14:22

As incertezas sobre a economia mundial


O feriado nos Estados Unidos dá um refresco no nível de apreensão que voltou a tomar conta dos mercados desde que o Fed, o Banco Central, indicou esta semana a expectativa de que a economia norte-americana cresça em 2008 menos do que se esperava. Fala-se agora em algo em torno de 2,5%, abaixo dos 2,8% estimados antes.

A questão não é o tamanho da queda prevista - que, a rigor, não chega a ser tão espetacular em termos absolutos - mas sim a sinalização disso. A preocupação não é apenas com o ano que vem, mas com 2009, 2010 e com os anos seguintes.

Ou seja, aprofundou-se a dúvida sobre o carater da situação que se vive hoje no mercado financeiro: será a crise dos ativos alavancados algo que tende a se dissolver aos poucos, com o tempo, ou estamos passando por uma mudança radical, para um novo cenário diferente daquele que se viu no decorrer dos últimos anos?

Se a resposta estiver na segunda alternativa, o buraco será bem mais fundo. Significa dizer que o período de inflação baixa, crescimento robusto e abundância de liquidez e de geração de riqueza está com os dias contados.

Qualquer assertiva com relação ao futuro é temerária e teria grandes chances de estar errada, mas sem dúvida os sinais emitidos aqui e ali no sentido da busca de realinhamento dos mercados provam que a economia mundial começou a passa por uma fase de transição.

Dólar fraco, petróleo e demais commodities em alta, alimentos mais caros, são alguns episódios que não têm grandes perspectivas de se perpetuarem. Parece que o desalinhamento entre moedas e entre o fluxo de comércio chegou finalmente ao ponto em que os ajustes tornam-se inexoráveis.

Para melhor entender a relação entre as principais moedas, o efeito disso nos fluxos comerciais, além do papel da valorização do petroleo no cenário mundial, recomenda-se a leitura de texto de minha autoria, públicado no jornal Valor Econômico. O artigo está reproduzido na íntegra na janela "textos e ensaios" deste blog.


enviada por Maria Clara do Prado






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Maria Clara R. M. do Prado é jornalista, formada pela PUC do Rio e pós-graduada em Desenvolvimento Econômico pela Universidade de Oxford, na Inglaterra. É autora do livro �A Real História do Real�, lançado pela editora Record, onde revela os bastidores das discussões que levaram à criação da nova moeda em 1994. Sempre se dedicou aos temas da economia e das finanças, especializando-se em assuntos de bancos centrais. Foi correspondente em Londres. É colunista do jornal Valor Econômico e sócia- diretora da
Cin-Comunicação Inteligente. Recebeu o prêmio Jornalista Econômico de 2006, concedido pela Ordem dos Economistas do Brasil.