26/11/2007 12:34

Forte interesse pelas ações da BM&F afeta valor de corte


O forte interesse manifestado pelas pessoas físicas em adquirirem ações da Bolsa de Mercadorias e de Futuros (BM&F)deve reduzir o valor de corte que vai definir o montante de ações para cada interessado. Estima-se no mercado que o valor de corte não deva exceder os R$10 mil por pessoa física.

Se confirmado, aquele valor será ligeiramente mais baixo do que os R$ 12.098,00, que coube a cada investidor, pessoa física, no processo de abertura de capital da Bovespa.

A expectativa de que o "corte" da quantidade de ações da BM&F seja menor tem a ver com a extraordinária demanda que bancos e corretoras têm recebido por parte de pessoas físicas interessadas em adquirir os papéis daquela bolsa no mercado primário, ou seja, no processo de lançamento das ações em IPO que caracteriza a abertura de capital de uma empresa.

O interesse das pessoas pelas ações da BM&F cresceu depois da valorização observada com as ações da Bovespa, lançadas há um mês, e que logo no primeiro dia do IPO ganharam mais de 50% sobre o preço de R$ 23,00 por ação definido para a venda no mercado primário. Hoje, um mês depois, as ações da Bovespa continuam muito valorizadas, sendo negociadas no mercado secundário com alta de mais de 38% sobre o preço inicial.

Os preços para a venda das ações da BM&F estão fixados no interevalo de referência de R$ 14,50 a R$ 16,50, mas valor final para o IPO deve ficar acima disso.

A BM&F vai lançar em oferta pública um total de 260.160.736 ações, quantidade que poderá ser ampliada em até 15%. Isto representará 28% do capital da bolsa que a partir do dia 30 deste mês, com a estréia de suas ações na Bovespa, deixará de ser uma entidade com características de sociedade por quotas, sem fins lucrativos,para se tornar uma empresa de capital aberto, do mesmo jeito como ocorreu com a Bovespa.

A mudança no regime de constituição jurídica das bolsas é um passo fundamental para o maior desenvolvimento do mercado de capitais do país. O principal motivo é a profissionalização que o processo impõe não apenas aos dirigentes das bolsas, mas também às corretoras de valores que passam para a categoria de sócias, deixando de ser meros quotistas.

Na nova condição de sócias da BM&F, as corretoras terão suas atividades monitoradas e rigorosamente fiscalizadas por um comitê criada especificamente para isso. Vão ter de mostrar eficiência e alto padrão dos serviços oferecidos ao público.

Só na quarta-feira desta semana, dia 28 -depois de contabilizado o interesse de aquisição por parte dos investidores institucionais, como fundos de investimentos - é que se saberá o valor de corte para a quantidade de ações que caberá a cada investidor, pessoa física que fez a reserva antecipada dos papéis e cujo prazo para essa reserva, vale lembrar, termina amanhã, terça-feira.

O valor do corte, como se sabe, depende não apenas da quantidade de ações a ser vendida para cada um, mas também do valor pelo qual cada ação será finalmente oferecida ao público no momento do IPO.


enviada por Maria Clara do Prado






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Maria Clara R. M. do Prado é jornalista, formada pela PUC do Rio e pós-graduada em Desenvolvimento Econômico pela Universidade de Oxford, na Inglaterra. É autora do livro �A Real História do Real�, lançado pela editora Record, onde revela os bastidores das discussões que levaram à criação da nova moeda em 1994. Sempre se dedicou aos temas da economia e das finanças, especializando-se em assuntos de bancos centrais. Foi correspondente em Londres. É colunista do jornal Valor Econômico e sócia- diretora da
Cin-Comunicação Inteligente. Recebeu o prêmio Jornalista Econômico de 2006, concedido pela Ordem dos Economistas do Brasil.