07/12/2007 14:08

Comentário do leitor João da Rocha: percalços da Selic

A SELIC CONTINUA A MESMA


Somos um país totalmente diferenciado de qualquer outra nação, no que diz respeito ao controle da economia, das finanças e na proteção do Consumidor. Cito alguns exemplos:

- Temos uma inflação de 4% a.a, igual a inflação de países de primeiro mundo, mas adotamos uma tx Selic que se iguala ao terceiro mundo e ainda com absoluta liderança.

- Para manter a Selic elevada, com ágio de 7,25% acima da inflação, o Tesouro Nacional ( o povo ) irá pagar ou rolar juros sobre a s/ dívida, de mais de R$ 110 bilhões "Reais", sómente em 2007 e os juros nominais passarão de um montante de R$ 160 bilhões.

- O BC justifica e o governo concorda, não sei porque, q uma Selic elevada é a garantia de contenção do risco de inflação. E, coincidentemente, antes de cada reunião do COPOM, notícias são plantadas e pautadas na imprensa, com competencia e por um período razoável, para dar respaldo às decisões.

É uma engrenagem perfeita e que sempre deu certo, mas só que em favor do sistema financeiro . Houve mesmo um tempo, que não é tão distante, em que uma elite de formadores de opinião, remunerados ou não, influenciavam fortemente as decisões do BC.

- Nos USA e em outros países de primeiro mundo e mesmo do BRIC, as taxas oficiais de juros realmente são inibidoras de risco inflacionário, mas só que os ágios dos Bancos sobre elas e como verdadeiro referencial, não passam de de 1 a 4% .

-Aquí no Brasil , os Bancos cobram ágios entre 60 a 200% acima da inflação, para financiamento aos consumidores, na cesta de produtos ofertados.

O primeiro mundo está baixando as suas taxas de juros e o volumoso e irresponsável capital volátil, tem no Brasil um "porto seguro", livre a qualquer hora e momento do dia e da noite para " atracar" e "zarpar", sem ser molestado nas suas operações mercantis especulativas.Tem-se a impressão até de que somos um "paraiso fiscal".

As Contas do Tesouro, do exercicio que se encerra em poucos dias, nos vão dar uma visão bem ampla e real do comportamento da economia e das finanças do Governo, nas rubricas de Juros e Engargos Financeiros, inclusive sobre as reservas internacionais.

Quanto a manutenção da Selic, de acordo com dados do IBGE , os aumentos da Carne e do Feijão independeram dos 11,25% porque foram e continuam sendo sazonais.

O que se conclui , com a colocação das pedras no tabuleiro, é que a Selic está servindo mesmo é de um grande e confortável "colchão" para recepcionar os hospedes do capital especulativo, nos banquetes das rolagens da dívida do Tesouro Nacional, que infelizmente continua no Curto Prazo.

E os especuladores, sabendo perfeitamente disso, já estão sinalizando que querem mais além dos 11,25% ao ano.

E, finalizando, o governo sempre afirma que os efeitos da selic sobre a economia e sobre o sistema financeiro só começam a aparecer depois de uma longa maturação. Mas porque aparecem tão rápidos esses efeitos quando diz respeito à remuneração paga pelos bancos aos investidores em seus papéis e na prestação de seus serviços. Logo são dois pesos e duas medidas.

Nos USA e em todos os paises de primeiro mundo e em desenvolvimento, os efeitos de quaisquer medidas são imediatos em beneficio do cidadão.

As nossas taxas de serviços bancários, continuam as maiores do mundo e uma decisão na defesa dos brasileiros vem sendo protelada a cada dia e entrarão em vigor com uma carencia de 6 meses.

Quando a nossa população for mais alfabetizada e a internet assumir a dimensão do seu importante papel, tenho certeza de que alguma coisa irá melhorar e muito, muito, muito...


enviada por Maria Clara do Prado






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Maria Clara R. M. do Prado é jornalista, formada pela PUC do Rio e pós-graduada em Desenvolvimento Econômico pela Universidade de Oxford, na Inglaterra. É autora do livro �A Real História do Real�, lançado pela editora Record, onde revela os bastidores das discussões que levaram à criação da nova moeda em 1994. Sempre se dedicou aos temas da economia e das finanças, especializando-se em assuntos de bancos centrais. Foi correspondente em Londres. É colunista do jornal Valor Econômico e sócia- diretora da
Cin-Comunicação Inteligente. Recebeu o prêmio Jornalista Econômico de 2006, concedido pela Ordem dos Economistas do Brasil.