08/12/2007 22:48

Conta-corrente: a queda do saldo é relevante?


O assunto começa a ganhar as manchetes dos jornais e os comentários de analistas. A gradual redução que se observa no superávit da conta-corrente do balanço de pagamentos preocupa alguns especialistas, temerosos de que isso seja o primeiro sinal de problemas potenciais nas contas externas do país.

A questão, no entanto, deveria ser discutida em maior profundidade, uma vez que não é "normal" países em desenvolvimento financiarem os países mais ricos, através dos saldos positivos em suas contas-correntes.

A China faz isso com facilidade do yuan depreciado diante do dólar e de custos ainda baratos nas linhas de produção, especialmente da mão de obra. Na grande maioria dos "emergentes", produtores de bens primários, a realidade é outra. Os altos superávits alcançados na conta-corrente se explicam basicamente pela pressão de demanda que exerce justamente a economia chinesa sobre aqueles bens, como petróleo, minérios, minerais em gerais e produtos agrícolas.

Já se falou aqui sobre o tema. Mas poucos se dão conta de que o passo natural das nossas contas externas é a geração de saldos cada vez menores em conta-corrente se a economia brasileira continuar crescendo a taxas robutas, como muitos já prognosticam.

A tendência da produção interna deveria ser a de atender o aumento da demanda, deslocando para dentro do país parte dos bens que hoje são exportados. Isto, é claro, na suposição de que o crescimento seja sustentado. Quer dizer, que se dê com investimentos que garantam a ampliação da capacidade produtiva do país. Neste caso, reduções dos superávits em conta-corrente são um bom indicador e não deveriam suscitar maiores preocupações.

O assunto foi tema da coluna publicada na edição do último dia 6, no jornal Valor Econômico. Ouso dizer ali que a queda do superávit em conta-corrente não tem hoje importância. Pelo contrário, indica que a economia passa por um movimento salutar. O artigo pode ser acessado na janela "textos e ensaios" deste blog.


enviada por Maria Clara do Prado






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Maria Clara R. M. do Prado é jornalista, formada pela PUC do Rio e pós-graduada em Desenvolvimento Econômico pela Universidade de Oxford, na Inglaterra. É autora do livro �A Real História do Real�, lançado pela editora Record, onde revela os bastidores das discussões que levaram à criação da nova moeda em 1994. Sempre se dedicou aos temas da economia e das finanças, especializando-se em assuntos de bancos centrais. Foi correspondente em Londres. É colunista do jornal Valor Econômico e sócia- diretora da
Cin-Comunicação Inteligente. Recebeu o prêmio Jornalista Econômico de 2006, concedido pela Ordem dos Economistas do Brasil.