05/12/2007 11:22
Crescimento Industrial em descompasso com infra-estrutura
A ninguém deveria surpreender os resultados sobre o desempenho industrial de outubro, divulgados hoje pelo IBGE. Basta andar pelas ruas de São Paulo (e de outras cidades brasileiras)para sentir na pele que a economia já cresce, aceleradamente, ao ritmo de mais de 4,5% ao ano.
O termômetro "vivencial", digamos assim, da expansão do PIB é um indicador que se sente pelo maior movimento de carros - e dos engarrafamentos lineares que se perpetuam ao longo do dia, não importa a hora - e também pelo incrível aumento no volume de caminhões que circulam pela cidade, transportando mercadorias dos mais diversos tipos.
A informação de que a produção industrial expandiu-se em 10,3% em outubro deste ano em comparação com o mmesmo mês do ano passado apenas veio confirmar em dados aquilo que já se percebia na prática. No acumulado de doze meses, a indústria brasileira cresceu 5,3% até outubro, cinco pontos de porcentagem a mais sobre o acumulado medido até setembro.
O importante não é a taxa de crescimento do PIB em si, pois este pode aumentar de forma não sustentada o que lhe daria fôlego curto. Desta vez, o relevante está nas informações que explicam a expansão da economia e que, pelo que nos diz o IBGE, contribuem para configurar um quadro de crescimento salutar.
Os pontos positivos podem ser resumidos em três cruciais informações que se conjugam para explicar o atual processo da atividade econômica: maior investimento, aumento do consumo doméstivo e dinamismo do comércio externo. Tudo isso tem ajudado a indústria brasileira a crescer, ampliando a capacidade produtiva que é, como se sabe, o dado fundamental para que o PIB possa ser ampliado sem maiores impactos na inflação.
Também o comportamento setorial acusam um processo salutar de crescimento. Isto se revela nas informações que apontam os bens intermediários como o setor de maior crescimento em outubro, de 2,7% sobre setembro, e o setor de bens de capital como o segundo na lista dos que mais se expandiram em outubro, acusando aumento de 1,8% sobre setembro.
É claro que as ruas estão entupidas de carros porque há mais renda nos bolsos dos brasileiros e isso se confirma no dado que aponta o peso do setor automobilístico - com alta de 7% - na produção industrial de outubro. Mas outros setores reveladores da ampliação da atividade econômica também têm crescido significativamente, como o de produção de máquinas para escritórios e equipamento de informática.
Voltando um pouco para meses atrás, pode-se concluir que a atmosfera de medo e as previsões pessimistas sobre os desdobramentos da crise financeira internacional sobre a atividade econômica brasileira foram exageradas. O país rapidamente voltou ao curso de expansão que tem guiado o comportamento da economia desde o ano passado.
O problema, agora, não é o risco da recessão a curto prazo, mas sim as consequências que os brasileiros em geral tendem a enfrentar no seu dia-a-dia se a taxa de crescimento do PIB pular para os patamares de 6% a 7% ao ano, como previu recentemente o ex-ministro do planejamento, Delfim Netto.
É que a infra-estrutura do país não está preparada para acomodar de forma suave, com certo conforto e sem maiores atritos, um PIB maior. O espaço das ruas de São Paulo é apenas um sinal urbano para os que vivem na maior cidade do país do descompasso entre o ritmo da atividade econômica e as bases da infra-estrutura existentes. Outros gargalos também são sentidos no setor de energia e no setor de transportes em geral, incluindo aqui as malhas rodoviária e ferroviária.
Esta é hoje a questão mais emergente a ser enfrentada rapidamente pelo governo e pela iniciativa privada, sob pena de morrermos todos na praia depois de termos nadado tanto!
enviada por Maria Clara do Prado
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