16/12/2007 00:17

Depois da derrota, a composição política


O fato mais importante, decorrente da derrota do governo no Senado Federal em torno da CPMF, é a mobilização que já se percebe claramente tanto da parte da situação quanto da oposição no sentido de se criar um imposto ou contribuição parecido com a CPMF, com a condição de que os recursos arrecadados sejam totalmente dirigidos à saúde.

No fundo, o resultado da votação que derrubou a CPMF deve ser lido como uma iniciativa de cunho basicamente político cuja principal intenção não era a de acabar com aquela contribuição mas mostrar para o governo federal que o Senado é uma Casa diferente da Câmara dos Deputados. O episódio Renan Calheiros (lembrado no post anterior) deixou sequelas no relacionamento do Senado com o Palácio do Planalto.

A corda das articulações em favor de Renan foi puxada em demasiado e foi longe demais, além daquilo que seria o suportável para uma instituição respeitável aguentar. A derrubada da CPMF foi um aviso de que os senadores em geral não estarão mais dispostos a aceitar o excesso de conchavos da parte do Executivo, para além do que pode ser considerado como plausível no padrão das manobras políticas.

Quanto à nova CPMF, a área econômica do governo não adiantou muito, mas tudo indica que continuará sendo cobrada tendo como base as operações do sistema financeiro.


enviada por Maria Clara do Prado






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Maria Clara R. M. do Prado é jornalista, formada pela PUC do Rio e pós-graduada em Desenvolvimento Econômico pela Universidade de Oxford, na Inglaterra. É autora do livro �A Real História do Real�, lançado pela editora Record, onde revela os bastidores das discussões que levaram à criação da nova moeda em 1994. Sempre se dedicou aos temas da economia e das finanças, especializando-se em assuntos de bancos centrais. Foi correspondente em Londres. É colunista do jornal Valor Econômico e sócia- diretora da
Cin-Comunicação Inteligente. Recebeu o prêmio Jornalista Econômico de 2006, concedido pela Ordem dos Economistas do Brasil.